De sonhar, de pensar e de sofrer
by Elma RochaO outro lado de mim
A madrugada começa fria e a garoa não deixa esquecer que se está em São Paulo. O táxi chega perfeitamente no horário, lembrando a eficiência e a pressa da cidade, 5 minutos antes.
O sentimento latente é a esperança de que o sol raie na cidade maravilhosa antes do pouso. A alegria adolescente de realizar o trabalho tão sonhado resplandece no terceiro chacra e deixa aflorar o cheiro de menina segura e corajosa que há tanto tempo não consegue se mostrar entre os prédios cinzas, as fumaças estonteantes e as gravatas apertadas indo e vindo sempre iguais. Chove no Rio.
Mas vê-se ao longe a mistura de cores vibrantes e sente-se o cheiro da alegria dos sambas. Mineiramente tento controlar a ansiedade paulistana de descer, estou no acento 19 A. Chego discretamente.
Vejo sem ver, sou vista com interesse. Encontro os músicos, dentre eles, um delicioso adolescente e uma gostosa amizade eterna, que me fazem sentir em casa. Fico feliz. Vamos à praia.
Meninos do Rio, muitas cores, sabores e sensações. A simpatia carioca e o sotaque litorâneo me invadem. Iemanjá me recebe docemente e Oxóssi me abençoa com carinho. Ambos me brindam com a reposição das energias. Almoçamos.
Interesses são despertados. Revivo a possibilidade da conquista, do desejo, do sabor do beijo, da sinestesia, dos olhares marcantes. Vamos ao trabalho.
São seis da tarde, já batemos perna por Botafogo, mas o cansaço não aplaca o ânimo de fotografar. Passa-se o som.
Do outro lado da rua do Odisséia o samba me convida à irresponsabilidade. O comprometimento aprendido na selva de pedras me traz de volta à obrigação. Algumas fotos são boas, outras nem tanto. Passeio pelo andar superior e recebo olhares que retribuo, recebo-retribuo, recebo-desaparecem…. O som me contagia.
As pessoas aplaudem e, finalmente, podemos nos entregar aos prazeres da Lapa. Passeamos e voltamos ao mesmo lugar. Terminamos em suor e samba. Alma lavada.
O domingo amanhece com teimosa névoa, que aos poucos vai se rendendo à luz de Apolo. Os amigos se vão, fica a vontade do mar, dos pés descalços na areia, da brisa suave nos cabelos, do verde atlântico reluzente. Paro a degustar um cigarro com coca-cola. Reencontro o olhar da noite anterior.
Trocamos meia dúzia de palavras e recebo um convite ou me ofereço para ida até Ipanema. A carona se torna companhia por uma hora. O suficiente para completar em mim aquilo que preciso para viver: o Amor. Os vôos não esperam.
Vou-me embora. Tenho tempo suficiente para contemplar a natureza pelos vitrais não por acaso posicionados diante do mar. Embarco em sono justo, chego sem querer, durmo com vontade de voltar.
Acordo feliz, querendo reviver tudo por várias outras vezes.
Rio, te amo!
Escrito em 25 de outubro de 2009 por Elma Rocha
*Esse texto só pode ser reproduzido, em partes ou na integra, com consentimento do autor. Sobre a violação dos direitos do autor recaem as penalidades da lei de Nº 10.695, DE 1º DE JULHO DE 2003.
TEW – In and About Altered States
Escrito em 12 de julho de 2008 por Elma Rocha
*Esse texto só pode ser reproduzido, em partes ou na integra, com consentimento do autor. Sobre a violação dos direitos do autor recaem as penalidades da lei de Nº 10.695, DE 1º DE JULHO DE 2003.


